sexta-feira, 5 de fevereiro de 2016

uma canção do sol e da chuva

E era sempre aquele gesto
mecânico como uma flor
Que se abre na hora extra
de estação já ida e já seca

Somente às vezes é que
suas curvas insinuavam
As curvas de um grande rio
que corta a cidade aos meios

E cortas as cortinas do céu
vertendo suaves notas frias
Deslizando no vazio suspenso
da atmosfera pesada e fértil,

Lembro que me acalmava a ira
de ser quem era, feto de areia
Feto mineral e águas e fôlegos
subindo, desmineralizado um
Só corpo, em suaves espirais
transparentes como lágrimas




sábado, 30 de janeiro de 2016

delivery

I give my heart for deliver.
After tree days naked,
ready waiting for the love,
All I get is readin' newpaper.
A simple smile by wax
could make it better
Until I get dressed, but
They're all made of botox.
Try it once, they said.
I'd tried and I'm tired
I'd wrote a thousand
Letters to no one.
I send them never
I gotta get down this fever
If it's fair or clever
I'll give my heart for deliever.


dedicado a Vicky

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

incêndio no museu

"Penetra surdamente no reino das palavras"
                                  (Carlos Drummond de Andrade)

Pois seu castelo agora em brasa
voa em cinzas alfabetizadas,
em letras espirais.

A estação da luz
se apaga em chamas
muda, a paisagem se confunde,

Tom de multi Cidade o'scura
cinza como as cinzas
dos poetas mortos
em seus delitos
em suas esquinas.

O outrora prazer
mistura-se com uma dor,
minha, sua
a dor de uma língua-mãe,
seja ela
em qual português for.




Foto tirada na região central mostra a fumaça provocada pelo incêndio (Foto: Luciana Rossetto/G1)





segunda-feira, 23 de novembro de 2015

Voagem

Presente bom seria mesmo,
Passar agora diante de teus olhos.
O caminho com amigos ao pôr do sol
Não seria paisagem, assim, inútil.

Apreensivo, tenho agora
O barulho do mar como castigo,
Mas é ele que me consola, do alto.

Não sei voar.
Jogo-me contra o que então?
Ao ventre? Ao açoite? De novo ao mar?

Hoje falam mal de você pra mim,
Alguém, por escolha, sendo individual.
Seja lá como for, venha se despedir.

Ou nem isto.
Deixa.
Ainda estou voando.
Deixa.

Se existe alma,
Se há outra vez para pesar
Não será má ideia ver o chão,

Como se fosse possível parar
A consciência no instante
Denominado qualquer.