sábado, 18 de julho de 2020

vide bula

E mesmo a vontade
imensa de te ver
passou
a necessidade de esperar,
com paciência mas em vão.

De vão em vão
se vão dias 
de nossa re-existência
inabitada de corpos e dores
cheias de copos e cores
que eu já sei enumerar 
de cabeça erguida.

De joelhos dobrados
esperando clemência.
Um instante de calmaria
entre tanta decadência.

Vide Data;
Vide Verbo:
Vide Verso;
Vice Versa.

Mais de um analgésico
e a dor sumiu,
logo ela tão imensa
tão intensa em
em seu desejo de ficar
dia e noite
noite e dia.

Mas bem cedo
hoje chega o fim.

sábado, 11 de julho de 2020

Anexo 5 - Peste

E eis que com grande fúria
abate-se uma grande praga
que pode ser a destruidora de todos nós.

Logo de esquina
uma garrafa de café
para banhar os beiços.

Olhos atentos,
ouvidos distraídos,
E a vez de se chegar nunca chega.

Não...
dessa vez o trem passou,
E por cima das ilusões.

Há sempre um grande número
de casos de suspeita
de qualquer coisa.

Entre os objetos da parede
há uma tv,
tela e planos enjambrados.

Chuvas de letras e sons e imagens
que colorem a parede para dentro,
spray luminoso de nervos e lágrimas.

Luzes de baixo teor caótico
dão as boas  vindas ao perfeito,
mas o trem da perfeição passou.

O que se vê são
umas sobras deste tempo
apenas ruídos estáticos.

Objetos de decoração
a serem esquecidos
em uma lata de lixo qualquer:

Medalhão do arcanjo Miguel,
pôster dos Beatles,
foto do time campeão e gente nua.

Ondas de baixa frequência
a nova geração do que sobrou
da humanidade em mim.

Mais alguns segundos
e saberemos de quem
depende todo o resto.