terça-feira, 16 de janeiro de 2024

Notas sobre Camila


Eu conheço uma menina
Que possui um só desejo:
De dançar
Ela luta, trava suas batalhas
Seu passo é um só bailado
Ela ri, chora, ama
Com a intensidade dos tornados
São giros em torno de si
Estende a mão a quem precisa ser ajudado.

Sua voz de menina
Me ilumina os ouvidos
E faz o convite:
Vamos dançar?
E ela dança, brinca, sorri
Dentro de sua armadura
A criança fecha os olhos
E sonha, e voa
A lugares distantes
Vê como ninguém
O que vem e será.

Atenda ao meu convite também
Minha doce menina
Vem comigo brincar
Vamos bailar
Até não aguentar
Restará o seu brilho no olhar
Sua voz e seu desejo
De ser e comigo voar
Para os horizontes
Que você sabe
E que eu não vejo...

sábado, 2 de setembro de 2023

Notas para Camila

De tudo ao meu amor a tempo,

meu caminho vai com o vento

e ele sopra em tua direção.

Se paro ou vou lento,

me leva pela mão

infinito e além de toda

imensidão.


Minha gêmea.

Minha alma fêmea.

Cada toque, olhar ou beijo

faz jus ao meu desejo

de ser sempre seu por inteiro.


AMOR de raro efeito.

Sua pele é meu sal

seu sorriso o meu céu,

Seu olhar o meu sol,

AMOR, meu sul.


Cada ponto cardeal

me levará

com as rosas e os ventos

sempre, em qualquer

momento

de encontro ao seu coração...

domingo, 22 de janeiro de 2023

lágrimas que aprendem a voar

Quantos séculos
Formando firme marcha
Cabem no peso
De lágrimas 
Que aprendem a voar?

São gritos de ordem
dos que habitam 
mundos novos
Onde o mundo
Não existe mais..

Não se fazem mais lágrimas.
Como as de antigamente
pendem, sementes
de novas palavras
para problemas vigentes.

Chega quem nunca saiu.
Entra com ignorantes pés,
Para tropeçar e só.
Cair no esquecimento.

Que isso é o que vale
No andar  de quem 
Busca o horizonte apenas
para ver seu justo diferente.

domingo, 24 de julho de 2022

Nesta noite

Nesta noite não vieste
Foste ao mar
Por amar
Só o mar

Nesta noite não vieste
Postar o amar
Pelo mar
Somar

Nesta noite se viesse
Seria somar o meu
O seu amor
Só amar

terça-feira, 12 de julho de 2022

poema de cabeça pra baixo

Com a mão eu mesmo faço
Poema de cabeça para baixo.
Almoço, doce, artesanato.
Nem de tudo cê gosta
Quando lê um cardápio,

Sentar na sala das pessoas
Nas janelas de ver carros.
Em ar, em chão invento,
Nem tudo que é corpo cai.
Em água potável corrente,

Diga o peso em palavra
Poema, tapa na cara.
Verso, resto, rara rima
Quando se repara e apara
Grama, pelo, navalha,

De cabeça para cima
Poema eu mesmo faço,
Na maior tranquilidade.
Um pé ponho nas costas,
Chuto o balde das novidades.

sexta-feira, 20 de maio de 2022

Contracorrente

Agora resta um acorde
Uma última lágrima escorre
Como natureza morta,
Dar bom dia a quem
Vai morrer de tarde.
Bater na porta de quem
Não mora lá mais.

De que vale perguntar 
Pelo caminho,
se todo lugar é comum?
Se ao menos rosas fossem,
As tais palavras de ordem
Trariam em sua correnteza
Sonhos que caem do céu?

Suor mancha a roupa
Sangue mancha a calçada
Uma voz meio pouca
Insiste em desafinar
Um choro descontente
Uma contracorrente
Para o meio do mar.

terça-feira, 26 de abril de 2022

Versos e versões

Chego a quase querer tudo.
Vou adiando as tentativas,
Buscando minha alma
Enquanto aguardo
Algumas horas de mim.
Não me deixe tentar a queda,
Não me deixe pra outra mão.

Vagalumes do meu quintal
Estrelam namoros com os astros,
Casam cenas nas minhas plantas,
Até certa quantidade de meios.

Acessos,
Assopros,
Assombros.

Se Deus soubesse
O que peso,
O que posso,
O que peço,
Onde piso,
Onde chego a precisar,
Me resguardaria
Pra renovar o bom ouvir.
Pra ouvir a fala dela.
Cada palavra sua
Canta minha esperança.

Guardar a baixa,
Me receber,
Me procurar,
Até que sua voz
Cante ao me atingir
Enquanto me conta
Em todos os cantos.

sábado, 5 de março de 2022

aceno

O oceano acena de longe.

Eu, meio quadro, meio busto
Faço gestos de papel
Origamis em folhas de flandres
Formas de nuvens feitas
Para céus de brigadeiro.

Encostado na ressaca das costas
Está feito o drama: termine agora!

Sentado no movimento 
Das praças
O sol 
Sorri distante
Parecendo sem graça.

O poema é derramado da ponte,
Protesta timidamente.
Nada mais belo:

Parou no meio da rua
Acabou atropelado
Pela viatura...

segunda-feira, 20 de dezembro de 2021

Camila

Busco no mar onde ela mora
Não sei mais dos meus segredos
Conto do medo da noite e solidão
E encho os pés de brisa salgada

Saio sem horizontes, pés enxutos
Caminho em sua direção
Navego e trafego sem palavra
Sentimentos ou sentidos

Ela chega como chega a chuva
Um abraço de fogo e de sol
Não há opção senão ser seu

Não há espaço que seja meu
Só há aquele olhar claro, direto
Como passagem do tempo

quinta-feira, 25 de novembro de 2021

Odisséia 2021

Ninguém consegue nada
Sem um pouco de fracasso
Em breve: 
Condomínios no espaço
Que caso!
Na nuvem tem mais que chumbo azul,
Há todo mundo prestes
A desabafar
Filmes e perfis sem passar
De verdade.
Fotos e filtros, tudo fake.
News pela metades.
Seis semanas,
Seis dias,
Seis horas, okey.
Números humanos
Tudo bem.
A vida ainda passa 
Se repete.
Mas a TV reprisa
Uma história mal passada..

Kubrick acorda depois
De trinta anos de ressaca.
E lança
"2021 Uma Odisseia Sem Muito Espaço"
Poucos espaços de memória
Espaços menores de fala
Gigabytes de histórias
Uma a uma mal contadas
Pesadelos que pesam toneladas
O universo se expande
Na base dos gritos
E silêncios conectados.


19/07/2019

sexta-feira, 8 de outubro de 2021

Camila

O escuro se torna clarão.
O caminho fácil
Apoiado em duas mãos
No bolso uns trocados.
Será que este mundo
Ainda vale a pena
Ser comprado?

Desde que seja você
E o mundo terá paz.
Desde que esteja com você.
Todo resto tanto faz.

O amor bate
Na veia torta
Natuteza morta
Retratos distantes

Não se decreve o haver
Ou pensar,
Só sente se sentir.

Posso não ser bom
Em alcançar o céu
ou segurar o sol
Eu nem posso parar o tempo
Mas sei pegar sua mão

E a vida canta
A tristeza dança 
Em quatro,
Cinco dimensões
Nossa mão,
Nossa boca,
Nosso ar,
Uma imagem
Nosso coração.

Dez mil megatons
E o peito,
Este não tem jeito.
Explode desejo
Angústias, teus beijos
Suaves toques e aromas.

Línguas que consumam
Na fala e no ato,
Palavras e ruídos
Do amor.

Desde que seja a gente
Seguindo mesma direção
A vida vale a pena,
Qualquer pena
Que escreva a história
Do nosso grande amor...

domingo, 15 de agosto de 2021

Tempos em tempos

Eu bebi o amanhã
E não houve o hoje.
E se ontem nunca
Estivesse presente?

Em matéria de tempos
Encerro a primeira metade
Querendo correr.
Na outra corro sem querer,

Mas nunca chegar.
Um tempo que não adianta
Correr qualquer temporal,

É o tempo que fecha 
Em minha boca aberta
Um sorriso de cristal.



quarta-feira, 23 de junho de 2021

o tempo das coisas e palavras

Diga alguma coisa alguma,
Sem sentido
Ou direção
Algum significado.
O peso das palavras
São plumas ao toque dos ventos.
O que é o tempo?
Cavalo de fogo voraz,
Que em seu galope
Consome e consuma
As coisas e as palavras
Das coisas
Normais e doidas
Que o vento leva.
No fim restará coisa alguma?
Algum motivo,
Alguma sobra,
Coisa simplesmente?
Sim, a mente, mestre
Em sentir e dar sentido
Às coisas, causas e casos.
Na maresia 
Do tempo emblema
Por tempos
O que a mente
Normalmente traduz.

quinta-feira, 3 de junho de 2021

Como antes?

Já disseram, e eu mesmo sei:
"Nada será como antes"
O mundo como está,
Opressores operantes
O amor tão distante.
Na melhor das hipóteses
Estaremos e seremos
Ilustres estranhos
Passivos rasantes
Diante dos fatos
Realmente relevantes?

Até disseram, mas eu já não sei.
Se nada será como antes,
Nesse mundo como está?
Nas cidades suplicantes?
É o amor que anda distante?
Na pior das hipóteses
Ilustraremos ao menos
Os estranhos que fomos antes?
Passivos passantes
Diante dos sentimentos
Realmente relevantes?

O que será de nós?
Seremos metade do que fomos
Diante do amor tão distante?

.
03/07/2019

sexta-feira, 28 de maio de 2021

balada triste

Veio bem a calhar
Uma balada triste
Que história!
Quem não canta?

Justo agora,
Estava inteiro
Estava em paz
Havia um caminho 
Havia uma distância
Havia um final
Ainda sem começar.

Simples desistência
A colheita solitária
Pra quem plantou
Despedidas.

Tudo se vai
Como um galope feroz
De multidão ensandecida

Agora, despido do orgulho
Encarar almas
Como quem olha o escuro
Como quem sai da lama

É só um espelho
Uma casa velha
Uma mancha de óleo
Na estrada
Uma bolha de escamas

Os versos, verbos
Que compõem 
Uma vida inteira
Escapam lisos e ilesos
Sem respostas
Aos que ainda cuidam
Em seguir o vento.


terça-feira, 20 de abril de 2021

Ave Ávida

Ave ávida vê
Ave ávida vem
Ave ávida vence.

Sua vida de céu
Ares de raro efeito
Distante pés de nós
Em sol de bela manhã.

Ave ávida tivesse a manha
Embucharia canhões
Posaria nos farois
Em trote rasante
Sobre aviões
Derrotava almirantes
De um céu que não é mais
O azul branco cinza 
Que foi antes.

Ave ávida quando vê
Voa na borda do mar
Atola os pés no chão.
Uma ave ávida
de vida tola,
Pousa suave nos mísseis
Bate asas, pia alto
Atrapalha as missas
Reza um desesperado
Canto de espera.

Ave ávida sabe que véspera
É tempo que se acaba
Em outro dia de ressaca.

                                         04/07/2019

domingo, 8 de novembro de 2020

Inevitável

Inevitável
Seriam amenidades
Nesta hora sacra
Quando o tempo
Pede silêncio.
Onde o que faz
Barulho insiste
Em dormir,
Enquanto domina
A voragem por teu olhar
Cintilante de primavera
Ensolarada.

Então o tempo
Não vale.

Não houvessem
Tantos meios de
Inevitar a comunicação
Nos falaríamos e,
Nos calaríamos
Aqui, lá.
Em toda parte,
Metade.

Também o silêncio
Não vale.

Nas estradas de sonho
Durante a ditadura
Da inconsciência
Sem direção
Sem dimensão
Imagens mortas.
Fusão. Realidades tortas.
Ainda distantes
De verdade.

Assim então
Nem o sonho vale.

Recomenda-se
Certas distâncias, 
Mesmo que secretas
Da janela de ver o mundo
O céu no turno das estrelas
E se o coração bate distante,
E encontra por acaso
Um atalho que seja.

A distância
Passa a não valer.

E assim como
No caso da distância,
A memória,
O porvir,
O presente,
Fórmulas mágicas
Nada valem.

O que vale,
Acima de tudo:
Saber de astros.
Se cruzam,
Se encurvam,
Se escrevem
Apesar de tudo.

O que vale
É este chamado
Às nossas almas
Para a nova
Ordem de viver
Sem direito de 
Querer pensar.
Só viver
Vir eu
Virar você.
A velha, 
A nova idade.
Vaidade
Sem sobras.

terça-feira, 13 de outubro de 2020

flor e ser

ser flor sem floreios,
ser sem rodeios,
um pé no barro
outro no esteio

sexta-feira, 18 de setembro de 2020

vida encontro arte

A vida é a arte do encontro
A vida é o encontro da arte
O encontro é a arte da vida
O encontro é a vida da arte
A arte é a vida do encontro
A arte é o encontro da vida.

sábado, 18 de julho de 2020

vide bula

E mesmo a vontade
imensa de te ver
passou
a necessidade de esperar,
com paciência mas em vão.

De vão em vão
se vão dias 
de nossa re-existência
inabitada de corpos e dores
cheias de copos e cores
que eu já sei enumerar 
de cabeça erguida.

De joelhos dobrados
esperando clemência.
Um instante de calmaria
entre tanta decadência.

Vide Data;
Vide Verbo:
Vide Verso;
Vice Versa.

Mais de um analgésico
e a dor sumiu,
logo ela tão imensa
tão intensa em
em seu desejo de ficar
dia e noite
noite e dia.

Mas bem cedo
hoje chega o fim.