domingo, 22 de janeiro de 2023

lágrimas que aprendem a voar

Quantos séculos
Formando firme marcha
Cabem no peso
De lágrimas 
Que aprendem a voar?

São gritos de ordem
dos que habitam 
mundos novos
Onde o mundo
Não existe mais..

Não se fazem mais lágrimas.
Como as de antigamente
pendem, sementes
de novas palavras
para problemas vigentes.

Chega quem nunca saiu.
Entra com ignorantes pés,
Para tropeçar e só.
Cair no esquecimento.

Que isso é o que vale
No andar  de quem 
Busca o horizonte apenas
para ver seu justo diferente.

domingo, 24 de julho de 2022

Nesta noite

Nesta noite não vieste
Foste ao mar
Por amar
Só o mar

Nesta noite não vieste
Postar o amar
Pelo mar
Somar

Nesta noite se viesse
Seria somar o meu
O seu amor
Só amar

terça-feira, 12 de julho de 2022

poema de cabeça pra baixo

Com a mão eu mesmo faço
Poema de cabeça para baixo.
Almoço, doce, artesanato.
Nem de tudo cê gosta
Quando lê um cardápio,

Sentar na sala das pessoas
Nas janelas de ver carros.
Em ar, em chão invento,
Nem tudo que é corpo cai.
Em água potável corrente,

Diga o peso em palavra
Poema, tapa na cara.
Verso, resto, rara rima
Quando se repara e apara
Grama, pelo, navalha,

De cabeça para cima
Poema eu mesmo faço,
Na maior tranquilidade.
Um pé ponho nas costas,
Chuto o balde das novidades.

sexta-feira, 20 de maio de 2022

Contracorrente

Agora resta um acorde
Uma última lágrima escorre
Como natureza morta,
Dar bom dia a quem
Vai morrer de tarde.
Bater na porta de quem
Não mora lá mais.

De que vale perguntar 
Pelo caminho,
se todo lugar é comum?
Se ao menos rosas fossem,
As tais palavras de ordem
Trariam em sua correnteza
Sonhos que caem do céu?

Suor mancha a roupa
Sangue mancha a calçada
Uma voz meio pouca
Insiste em desafinar
Um choro descontente
Uma contracorrente
Para o meio do mar.