sexta-feira, 18 de setembro de 2020

vida encontro arte

A vida é a arte do encontro
A vida é o encontro da arte
O encontro é a arte da vida
O encontro é a vida da arte
A arte é a vida do encontro
A arte é o encontro da vida.

sábado, 18 de julho de 2020

vide bula

E mesmo a vontade
imensa de te ver
passou
a necessidade de esperar,
com paciência mas em vão.

De vão em vão
se vão dias 
de nossa re-existência
inabitada de corpos e dores
cheias de copos e cores
que eu já sei enumerar 
de cabeça erguida.

De joelhos dobrados
esperando clemência.
Um instante de calmaria
entre tanta decadência.

Vide Data;
Vide Verbo:
Vide Verso;
Vice Versa.

Mais de um analgésico
e a dor sumiu,
logo ela tão imensa
tão intensa em
em seu desejo de ficar
dia e noite
noite e dia.

Mas bem cedo
hoje chega o fim.

sábado, 11 de julho de 2020

Anexo 5 - Peste

E eis que com grande fúria
abate-se uma grande praga
que pode ser a destruidora de todos nós.

Logo de esquina
uma garrafa de café
para banhar os beiços.

Olhos atentos,
ouvidos distraídos,
E a vez de se chegar nunca chega.

Não...
dessa vez o trem passou,
E por cima das ilusões.

Há sempre um grande número
de casos de suspeita
de qualquer coisa.

Entre os objetos da parede
há uma tv,
tela e planos enjambrados.

Chuvas de letras e sons e imagens
que colorem a parede para dentro,
spray luminoso de nervos e lágrimas.

Luzes de baixo teor caótico
dão as boas  vindas ao perfeito,
mas o trem da perfeição passou.

O que se vê são
umas sobras deste tempo
apenas ruídos estáticos.

Objetos de decoração
a serem esquecidos
em uma lata de lixo qualquer:

Medalhão do arcanjo Miguel,
pôster dos Beatles,
foto do time campeão e gente nua.

Ondas de baixa frequência
a nova geração do que sobrou
da humanidade em mim.

Mais alguns segundos
e saberemos de quem
depende todo o resto.

sexta-feira, 5 de junho de 2020

Anexo 4 - Sem Notas

No rádio toca sem parar
Um samba amordaçado
Pelo silencio de Deus,
E dos veículos de transmissão
Na intoxicação gerada
Pelas cartas de amor
Jogadas ao mar.
Em garrafas plásticas.

Cantava mais esperança
Do que medo:
Soltava seus lamentos.

Se era erudito
Se era audito
Se era maldito

Problema de quem
Canta essas canções
Sem emitir um pio.
Canto de estar atormentado!!!

O fogo que queima
Em duas mão geladas
Demonstrando medo
se desmonta em medo.

Voz que clama,
Fazendo asiprações.
Voz que chama,
Freando corações.
Voz que ama,
Figurando central.
Voz que ousa crer
Fazendo-se inalcançável.

A melodia se repete toda
O mote segue a noite
As histórias recomeçam
Os ecos repetem nota por nota.

As veias da cidade
Entupidas de carros,
Leitos de leites derramados.
O dia torna nascer,
A muito custo cansa.
Causa impressões passadas
Sem direção.

Seu desejo de tudo.
A sua imagem aberta.
Seu desejo mudo.
As flores do forno.

Pétala por pétala.
A voz perde a a cor,
A cidade perde suas estações
As cores perdem o silencio...
Silencio...