sexta-feira, 26 de junho de 2015

Anexo 1 - Mentiras

Tudo mentira, desde o início
Seu palavrório eloquente
suporta leis próprias

São sempre telefonemas urgentes
Sobre missões assassinas
Jogos de poder nas esquinas
telas de reality-shows inocentes

o poeta da sarjeta 
"guenta as treta"
e tem mais:

na última autópsia
de seu falido cérebro
encontraram sua alma
finalmente submissa
a doenças mentais crônicas.

O problema com suas histórias
era que as verdadeiras
eram entediantes...
E as mais interessantes
eram pura mentira....

domingo, 31 de maio de 2015

Nota de Falecimento

Com pesar
Comunicamos
Que por motivo de força maior
Morre hoje o absurdo,
A indecência,
O abuso.

Após passagem complicada
Pela U.T.I. pública
Morreu.

De falência múltipla
De signos e 
De dispositivos,
Poças d'água e cenários
Do palco-mundo.
Mais mudo
Mais Raimundo
Mais rima,
muito menos
solução...


segunda-feira, 16 de março de 2015

terço em terço

Testa o terço.
Pra mim, réstia
E cédula, claro.

Só dúvida alguma
Nome no SPC
Sorte-à-sorte.

Uma dívida dobra:
Os verbos ignorados
Esquecidos quanto ignorados

Terço do churrasco.
Sobra da cana.
Touca de lã.

Além do anzol,
há enxada, caneta
Serrote martelo e papel

Se há consolo,
Não vem da praia:
Nem lugar nenhum.

Terço em terço
Regrado, tem caixa
Desses de supermercado.

Sempre em rente.
Cabelos médio-curtos
Versos médio-curtos

Uma música social
Redes na geladeira
Fluxo contínuo sangra.

Enfim, no cemitério
Do bairro Bonfim
Noivas estão loucas.

Enterrado todo sonho.
Falida a padaria
Consolo há: bar.

Terço ao terço
Quinta até sesta.
Há subalternos verbos.

Doze mil parágrafos
Fonte doze: ABNT
Não querem nada.

Vem só desmoronar
A relação entre
Pães franceses e ventiladores...

quarta-feira, 25 de fevereiro de 2015

madrugada

A madrugada floresceu 
Você vai me assassinar.

Tem horas que você trabalha,
e assiste TV enfiando porcaria
ácida na flora.

Finalmente um dia
há flores sangrando
em duas mãos hediondas
sujas de tintas explícitas,
fios e pomares.

À noitinha o retorno
à mesma coisa, casa.
Você lembra de um,
e esquece do outro,
outra coisa, tinta.
O vermelho,
"a cor do guerreiro".

Sempre gostei de flores
ainda mais de armas
facas,bisturis, revólveres
e da minha dança do vento
nu,
o ventre da noite ...

A madrugada já rompeu
Você vai me acorrentar.