sexta-feira, 28 de maio de 2021

balada triste

Veio bem a calhar
Uma balada triste
Que história!
Quem não canta?

Justo agora,
Estava inteiro
Estava em paz
Havia um caminho 
Havia uma distância
Havia um final
Ainda sem começar.

Simples desistência
A colheita solitária
Pra quem plantou
Despedidas.

Tudo se vai
Como um galope feroz
De multidão ensandecida

Agora, despido do orgulho
Encarar almas
Como quem olha o escuro
Como quem sai da lama

É só um espelho
Uma casa velha
Uma mancha de óleo
Na estrada
Uma bolha de escamas

Os versos, verbos
Que compõem 
Uma vida inteira
Escapam lisos e ilesos
Sem respostas
Aos que ainda cuidam
Em seguir o vento.


terça-feira, 20 de abril de 2021

Ave Ávida

Ave ávida vê
Ave ávida vem
Ave ávida vence.

Sua vida de céu
Ares de raro efeito
Distante pés de nós
Em sol de bela manhã.

Ave ávida tivesse a manha
Embucharia canhões
Posaria nos farois
Em trote rasante
Sobre aviões
Derrotava almirantes
De um céu que não é mais
O azul branco cinza 
Que foi antes.

Ave ávida quando vê
Voa na borda do mar
Atola os pés no chão.
Uma ave ávida
de vida tola,
Pousa suave nos mísseis
Bate asas, pia alto
Atrapalha as missas
Reza um desesperado
Canto de espera.

Ave ávida sabe que véspera
É tempo que se acaba
Em outro dia de ressaca.

                                         04/07/2019

domingo, 8 de novembro de 2020

Inevitável

Inevitável
Seriam amenidades
Nesta hora sacra
Quando o tempo
Pede silêncio.
Onde o que faz
Barulho insiste
Em dormir,
Enquanto domina
A voragem por teu olhar
Cintilante de primavera
Ensolarada.

Então o tempo
Não vale.

Não houvessem
Tantos meios de
Inevitar a comunicação
Nos falaríamos e,
Nos calaríamos
Aqui, lá.
Em toda parte,
Metade.

Também o silêncio
Não vale.

Nas estradas de sonho
Durante a ditadura
Da inconsciência
Sem direção
Sem dimensão
Imagens mortas.
Fusão. Realidades tortas.
Ainda distantes
De verdade.

Assim então
Nem o sonho vale.

Recomenda-se
Certas distâncias, 
Mesmo que secretas
Da janela de ver o mundo
O céu no turno das estrelas
E se o coração bate distante,
E encontra por acaso
Um atalho que seja.

A distância
Passa a não valer.

E assim como
No caso da distância,
A memória,
O porvir,
O presente,
Fórmulas mágicas
Nada valem.

O que vale,
Acima de tudo:
Saber de astros.
Se cruzam,
Se encurvam,
Se escrevem
Apesar de tudo.

O que vale
É este chamado
Às nossas almas
Para a nova
Ordem de viver
Sem direito de 
Querer pensar.
Só viver
Vir eu
Virar você.
A velha, 
A nova idade.
Vaidade
Sem sobras.

terça-feira, 13 de outubro de 2020

flor e ser

ser flor sem floreios,
ser sem rodeios,
um pé no barro
outro no esteio