sábado, 12 de setembro de 2015

Anexo 3 - Naturezas

Oro, por vontade própria
ao saber filosófico das suas origens,
a essa deusa do prazer,
essa dona ruim,
os olhos azuis como
o resplendor solar, serena
jogando dominó a cada verso,
de um jeito que não acaba mais.

No meio dia branco de sol
uma voz embala
esse povo todo,
esse sonho todo:
Culpados.

E de pensar que de repente
na natureza de Edvard Munch,
eram apenas homens menina,
eles metem medo menina,
eles querem se mostrar,
mas ninguém quer
saber de ver menina.

Depois, a gente vai desabar
com os homens sobre
esse teto tranquilo,
onde andam pombas.

Eu também estou apreensivo,
busco a mão no ponto,
seguro o jogo,
palpito entre pinheiros,
entre minhas entranhas
e sempre ressoa a mesma coisa:
tinta.

Não há nada
fundamentalmente errado
com meus dentes, meus olhos.
o que há é o ruído
de gente chorando à consciência
de quem acreditou no amor,


ATENÇÃO! ATENÇÃO!


muito obrigado.




quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Crise

O congresso em crise,
A Petrobrás em crise,
Meu pulmão em crise
há crise na Europa toda,

Crise financeira,
Crise dos quarenta,
Crise na Igreja,

Poetas em crise de versos Escolas em crise de verbas

Crise na esquerda,
Crise na direita,
"Mas tu serás atingido
pela crise"

Crise!

Crise!

Crise!

Cristo...

terça-feira, 7 de julho de 2015

Satélite

Sozinho um satélite
Entre carbonos
E luxos espaciais
Vermelhas luzes
Violetas luzes.

Entre horóscopos
De figurinhas
Carimbadas
"Se quiser voar!
(...) Pro sol, identidade".

Fora esta a desordem.
Fora este o cartel
Mantido por
Leis gravitacionais.
Vagar no breu
Espalhando nuvens
De lixo trópico.

O Câncer
Jaz assim, frio
Nosso satélite.
Orbitando plasmas
Infinitas perdas de massa.
Gases múltiplos
Vindos do oceano,
Dentro da estrela
O brilho rotineiro
da supernova.

As ascensões: 
Saturno em Escorpião.
Urgente como costuma ser
abaixo do Equador.

Quantos meridianos
serão gastos até que
a cerca atinja a cintura?

De repente
tudo faz sentido:
Meteoritos,
Estrelas, cometas e
outras engarrafamentos
espaço-temporais.

Mais um salto
no hiperespaço,
Já vamos pra casa...

segunda-feira, 6 de julho de 2015

Epílogo 1 - Perdas no caminho

Pior que perder um poema todo é
perder uma vida toda pra virar poeta
pra depois ver que perdeu toda
uma vida por ter virado poeta.