quarta-feira, 23 de junho de 2021

o tempo das coisas e palavras

Diga alguma coisa alguma,
Sem sentido
Ou direção
Algum significado.
O peso das palavras
São plumas ao toque dos ventos.
O que é o tempo?
Cavalo de fogo voraz,
Que em seu galope
Consome e consuma
As coisas e as palavras
Das coisas
Normais e doidas
Que o vento leva.
No fim restará coisa alguma?
Algum motivo,
Alguma sobra,
Coisa simplesmente?
Sim, a mente, mestre
Em sentir e dar sentido
Às coisas, causas e casos.
Na maresia 
Do tempo emblema
Por tempos
O que a mente
Normalmente traduz.

quinta-feira, 3 de junho de 2021

Como antes?

Já disseram, e eu mesmo sei:
"Nada será como antes"
O mundo como está,
Opressores operantes
O amor tão distante.
Na melhor das hipóteses
Estaremos e seremos
Ilustres estranhos
Passivos rasantes
Diante dos fatos
Realmente relevantes?

Até disseram, mas eu já não sei.
Se nada será como antes,
Nesse mundo como está?
Nas cidades suplicantes?
É o amor que anda distante?
Na pior das hipóteses
Ilustraremos ao menos
Os estranhos que fomos antes?
Passivos passantes
Diante dos sentimentos
Realmente relevantes?

O que será de nós?
Seremos metade do que fomos
Diante do amor tão distante?

.
03/07/2019

sexta-feira, 28 de maio de 2021

balada triste

Veio bem a calhar
Uma balada triste
Que história!
Quem não canta?

Justo agora,
Estava inteiro
Estava em paz
Havia um caminho 
Havia uma distância
Havia um final
Ainda sem começar.

Simples desistência
A colheita solitária
Pra quem plantou
Despedidas.

Tudo se vai
Como um galope feroz
De multidão ensandecida

Agora, despido do orgulho
Encarar almas
Como quem olha o escuro
Como quem sai da lama

É só um espelho
Uma casa velha
Uma mancha de óleo
Na estrada
Uma bolha de escamas

Os versos, verbos
Que compõem 
Uma vida inteira
Escapam lisos e ilesos
Sem respostas
Aos que ainda cuidam
Em seguir o vento.


terça-feira, 20 de abril de 2021

Ave Ávida

Ave ávida vê
Ave ávida vem
Ave ávida vence.

Sua vida de céu
Ares de raro efeito
Distante pés de nós
Em sol de bela manhã.

Ave ávida tivesse a manha
Embucharia canhões
Posaria nos farois
Em trote rasante
Sobre aviões
Derrotava almirantes
De um céu que não é mais
O azul branco cinza 
Que foi antes.

Ave ávida quando vê
Voa na borda do mar
Atola os pés no chão.
Uma ave ávida
de vida tola,
Pousa suave nos mísseis
Bate asas, pia alto
Atrapalha as missas
Reza um desesperado
Canto de espera.

Ave ávida sabe que véspera
É tempo que se acaba
Em outro dia de ressaca.

                                         04/07/2019