sábado, 19 de outubro de 2019

botas perdidas

A bota que eu tinha, o Judas perdeu, de tanto andar o coitado até dos calos se esqueceu.
Ele só não se lembrava de tanto que ele escreveu que foram trinta versos de prata que ele me vendeu. Judas caloteiro onde já se viu botar verso por bota? Pode ser bestagem minha mas vou desbotar cada verso descolorir cada linha...

sexta-feira, 16 de agosto de 2019

querer e poder

Não basta exprimir explicações
é preciso contradizê-las
é preciso querer poder
é preciso poder querer
por isso mesmo quero.

Quero o mar e também o ar
quero tanto o lar quanto quero ir pro bar
deveres e poderes de cidadão
comer a carne onde se ganha o pão
e por que não?

Quero a fala e o silencio de cada
reticencia.
se Deus quiser, quero Deus e
a ciência.
Paciência também é feita com um pé no
asfalto e outro pé na correnteza.
Quero mesmo ter certeza
mesmo que nada dê certo.

Quero os mínimos detalhes
flimados todos em planos gerais
quero a água, quero o gás
quero a calma e também o vento
sem mais.
Só não quero nem 
preciso perder tempo
com explicações pontuais.

sábado, 25 de junho de 2016

amor incluso

Estranho amigo, intruso.
Distinto turvo, difuso.
Traço indistinto, ocluso.
Espaço curto,  escuso.
Tatos desenganados, abuso.
Hábito do uso...

Óbito do uso...
Destino seco, obtuso.
Fogo-fátuo, profuso.
Mortos desejos, recuso
Olhar medroso, infuso.
Mergulho insano, parafuso.

sempre amor, excluso.
sempre amor, incluso.

Concluso



sexta-feira, 3 de junho de 2016

Sobre o Verbo

"No princípio era o verbo (...) 
E era toda a terra 
de uma mesma língua 
e de uma mesma fala"
Evangelho de São João 1:1
Gênesis 11:1
No fim, quem entrou
na locomotiva do tempo
pra voltar à primeira
Babilônia?

Sabendo que de um caule
saíram tantos ramos
e deles, os troncos.

Esta a agonia
de ser humano:
O princípio ativo era
o Verbo,
Mas para alívio próprio,
resolveu confundir
mulheres e homens.

Eis o que é mais belo
que os jardins suspensos
na primeira Babilônia:
Um tronco indo pra Europa
atravessou milênios,
chegou aos dias de hoje,
não se cansa de perguntar:

O que seria dos poetas,
presos num só tronco
açoitados por uma só
língua?