sexta-feira, 3 de julho de 2015

Anexo 2 - Inimizades

Ai, o poema é um dos meus inimigos, 
que me ungem a cabeça
com o que era poesia.

Como o amor que primeiro
em silencio dorme.
Como uma visita tardia
Que pede entrada em meus erros. 

Sou sujeito. Fui fabricado. Morri.
Enterrado todo metade,
toda hora que me torno
tudo o que consumido está
só me dão, dos dois,
a geleira azul da solidão
e a morna espera
pelas pombas.

Sou poeta, meus camaradas também o são.
Parte inofensiva do mundo.
Vamos lotar o sistema nervoso central.
Nem vou falar nos sentimentos deles.
Estamos aparados sem nenhuma discussão.
Porque, agora, vemos como máquinas.

E diretamente das máquinas
vem o segredo das palavras.
E lá estão: loucas.

O mais importante é
que todos nós estamos aí.

Na próxima deverá haver
uma versão completa
do que deu para contar.
Pelo menos vinte prestações
de puro sofrimento.

Estamos todos prontos
Você, eles, elas e eu.
Eu continuo sujeito e sou forte:
meu lado esquerdo fere.
...
Melhor se recompor.
Não há meio triste
De estar tanto melhor.

quinta-feira, 2 de julho de 2015

noa boa

noa boa na beira da praia
aperta bem pra acolchoar
pra esticar na areia
e só ouvir o mar

o barulho do mar
como as pessoas
em dias de feira
vem comprar, vem comprar

de bobeira na beira do mar
testemunhando os maluco
surfar na crista de galo da crista da onda
brilhando o cristal de ponta em ponta

chega de ir direto ao ponto
o assunto é remendar...

Pra fechar, queria apenas
repassar a esse povo cansado
quatro poemas que conheço tão bem,
Eu sou o mar, soa o poema.

Noa boa na beira do mar
enrolo poemas pra engarrafar.

Aceita-o como ele é:
qualquer sensação muito natural
desde que seja uma charada.

sexta-feira, 26 de junho de 2015

Anexo 1 - Mentiras

Tudo mentira, desde o início
Seu palavrório eloquente
suporta leis próprias

São sempre telefonemas urgentes
Sobre missões assassinas
Jogos de poder nas esquinas
telas de reality-shows inocentes

o poeta da sarjeta 
"guenta as treta"
e tem mais:

na última autópsia
de seu falido cérebro
encontraram sua alma
finalmente submissa
a doenças mentais crônicas.

O problema com suas histórias
era que as verdadeiras
eram entediantes...
E as mais interessantes
eram pura mentira....

domingo, 31 de maio de 2015

Nota de Falecimento

Com pesar
Comunicamos
Que por motivo de força maior
Morre hoje o absurdo,
A indecência,
O abuso.

Após passagem complicada
Pela U.T.I. pública
Morreu.

De falência múltipla
De signos e 
De dispositivos,
Poças d'água e cenários
Do palco-mundo.
Mais mudo
Mais Raimundo
Mais rima,
muito menos
solução...