Minha mãe quis
por-me o nome:
Vinícius.
Meu pai, sei lá:
Eduardo.
meio louca esta ideia
meio torta esta vida
meio digerível esta jornada
meio manjada esta poesia
não é fácil
levar esta vida
contando histórias
pra boi dormir
até bater as botas
domingo, 5 de outubro de 2014
quinta-feira, 11 de setembro de 2014
sermão da sorte
Ela é deus,
Ninguém mais diga nada!
Você viu que
o que não chega
a ser literatura
mas que compõe este sermão.
Relendo cada verso no fim,
ainda restarão argumentos desconexos,
insetos incômodos, amores mal vestidos
barbeadores elétricos, monstros alados
e seguros de vida vencidos.
É a vida: acertada e errada com a sorte,
enquanto imploramos e roubamos
e pegamos emprestado.
e nunca, nunca vemos de volta
vontades descarregadas a mil megabytes:
nem mesmo vou falar delas em vão.
Apenas algumas palavras
e o radical de seu nome
restam em minha memória.
crisálida
crisma
cristal
cristo
crista
CrisPenoni
Ninguém mais diga nada!
Você viu que
o que não chega
a ser literatura
mas que compõe este sermão.
Relendo cada verso no fim,
ainda restarão argumentos desconexos,
insetos incômodos, amores mal vestidos
barbeadores elétricos, monstros alados
e seguros de vida vencidos.
É a vida: acertada e errada com a sorte,
enquanto imploramos e roubamos
e pegamos emprestado.
e nunca, nunca vemos de volta
vontades descarregadas a mil megabytes:
nem mesmo vou falar delas em vão.
Apenas algumas palavras
e o radical de seu nome
restam em minha memória.
crisálida
crisma
cristal
cristo
crista
CrisPenoni
quarta-feira, 27 de agosto de 2014
Inspiração
Então agora entre nós
Vai ser desse jeito:
você vem, me aceita,
com todos os defeitos
e sai, muda.
Você foi meu verbo
habitou minha carne
até ao pus, e mesmo
sem poder falar
me deixa, surdo.
O amor vai superar tudo
os santos só não avisaram
da tua partida, e eu,
sem paciência pra esperar
me corto, cego.
Seus beijos ainda
queimam minha boca
e o verbo voltará
a circular meu corpo e
me proverá, amargo.
Porque é assim entre
eu e minha inspiração:
ela me faz feliz, me cria,
batiza meu filho mais novo e
me deixa, apagado.
Vai ser desse jeito:
você vem, me aceita,
com todos os defeitos
e sai, muda.
Você foi meu verbo
habitou minha carne
até ao pus, e mesmo
sem poder falar
me deixa, surdo.
O amor vai superar tudo
os santos só não avisaram
da tua partida, e eu,
sem paciência pra esperar
me corto, cego.
Seus beijos ainda
queimam minha boca
e o verbo voltará
a circular meu corpo e
me proverá, amargo.
Porque é assim entre
eu e minha inspiração:
ela me faz feliz, me cria,
batiza meu filho mais novo e
me deixa, apagado.
segunda-feira, 4 de agosto de 2014
seca
eu sou um
você é vários
ele é tudo
nós somos nada.
e apesar disso
temos o mundo
pelas costas
e dois lados
de um caminho
de obras inacabadas.
tudo seca:
tinta seca,
planta seca,
a fonte seca...
mas o lago
em que ponho
os pés agora
está coberto
de pensamentos
amarelos
brancos
verdes
e roxos.
até mesmo
os pensamentos
secam.
você é vários
ele é tudo
nós somos nada.
e apesar disso
temos o mundo
pelas costas
e dois lados
de um caminho
de obras inacabadas.
tudo seca:
tinta seca,
planta seca,
a fonte seca...
mas o lago
em que ponho
os pés agora
está coberto
de pensamentos
amarelos
brancos
verdes
e roxos.
até mesmo
os pensamentos
secam.
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