terça-feira, 13 de maio de 2014

Burocr-Artia

um minuto por favor,
estamos transferindo 
sua ligação para 
o setor de suporte.

tudo dentro dos conformes 
será debitado em sua conta senhor
tudo o que você tem que fazer 
é assinar aqui e aqui

logo na saída tem um guichê.
e um terminal-burro com um teclado
na tela haverá um codisigno alfanumérico 
digite ʞ4Fʞ4 e aperte o enter

pois bem, criado seu desejo
digitado o signo
cifrado o código
atendendo seu pedido

o que o senhor deseja?
-desejo Burocr-Arte.
pra comer agora?
não. 
embrulhe pra viagem



http://esferografias.blogspot.com.br/


sexta-feira, 25 de abril de 2014

mata-mata!

penal - sorte!
juiz - apito!
bola - cal!
chute - tiro?
a massa - grito!
bomba - foguete!
morreu - go0o0ol!
gol - não gol?

penal perdido
azar. 
não valeu!
passou perto!

bala perdida.
sorte.
não valeu!
passou perto!

mais um morreu no
fundo do beco...





http://www.consciencia.net/pequenosdetalhes/bala-perdida



sábado, 12 de abril de 2014

mente

mente
mente?
se mente
só mente
dor mente
seca mente
tipica mente
acida mente
move mente
nova mente
ressente mente
mente,
por que mente?
frequente mente,
porque só mente?
de repente, mente..
doente mente, doente...



My mind is blowin' up
http://killeracid.com/post/50022378498/my-head-explodes-18-x-24-drawing-2013

terça-feira, 1 de abril de 2014

Depois de tudo

Um menino sai à rua.
Lê trechos do jornais
expostos na prateleira
suja como sempre.

Uns reclamam da temperatura,
outros das invasões.
Uns reclamam de bombas,
abacaxis e pepinos.
Ainda há os que reclamam
de uma vida chata
como é também chata
a vida de sua cidade.
Dos impostos, copas,
de reis vermelhos e azuis,
do cair nosso de cada dia.

Tudo isso confirma apenas
a insatisfação conhecida há tempos,
de tudo e de todos.

Sua cidadezinha está crescida?
Não se preocupe,
essa é a menor das tragédias,
embora devas considerar
o ocaso das emoções coletivas
e de memórias faltosas.

O menino só reclama de sua memória,
falha como um disco portátil
de uns poucos megabytes.
Se desce as ruas, é porque ela sabe
que esse menino ainda não sabe
decidir a quantas anda o próprio corpo.

No fim, o menino vê nada:
a poesia não pesou e nem valeu.
Não serve pra muita coisa.

depois de tantas discussões
depois de crises nucelares
depois das igrejas celulares
depois de lavadas as mãos

Seu último poema fica preso.
Infância, bolas de meia,
vertigem, medo do escuro.
Tudo isso e mais o que vai
se deletando ao longo dos anos.
Fecha os olhos pela última vez
e inventa versos que julgava saber de cor.