sábado, 12 de abril de 2014

mente

mente
mente?
se mente
só mente
dor mente
seca mente
tipica mente
acida mente
move mente
nova mente
ressente mente
mente,
por que mente?
frequente mente,
porque só mente?
de repente, mente..
doente mente, doente...



My mind is blowin' up
http://killeracid.com/post/50022378498/my-head-explodes-18-x-24-drawing-2013

terça-feira, 1 de abril de 2014

Depois de tudo

Um menino sai à rua.
Lê trechos do jornais
expostos na prateleira
suja como sempre.

Uns reclamam da temperatura,
outros das invasões.
Uns reclamam de bombas,
abacaxis e pepinos.
Ainda há os que reclamam
de uma vida chata
como é também chata
a vida de sua cidade.
Dos impostos, copas,
de reis vermelhos e azuis,
do cair nosso de cada dia.

Tudo isso confirma apenas
a insatisfação conhecida há tempos,
de tudo e de todos.

Sua cidadezinha está crescida?
Não se preocupe,
essa é a menor das tragédias,
embora devas considerar
o ocaso das emoções coletivas
e de memórias faltosas.

O menino só reclama de sua memória,
falha como um disco portátil
de uns poucos megabytes.
Se desce as ruas, é porque ela sabe
que esse menino ainda não sabe
decidir a quantas anda o próprio corpo.

No fim, o menino vê nada:
a poesia não pesou e nem valeu.
Não serve pra muita coisa.

depois de tantas discussões
depois de crises nucelares
depois das igrejas celulares
depois de lavadas as mãos

Seu último poema fica preso.
Infância, bolas de meia,
vertigem, medo do escuro.
Tudo isso e mais o que vai
se deletando ao longo dos anos.
Fecha os olhos pela última vez
e inventa versos que julgava saber de cor.

sexta-feira, 14 de março de 2014

desconector conectado

Acordei mais cedo,
para abrir os olhos,
e ouvir um megafone,
e tomar consciência:

Eu sou uma farsa
-a maior das fraudes-

As relações andam estreitas
como o sol anda perto de
plutão.

O maquinário está desatualizado.
A graxa das engrenagens
já secou há tempos.
Nunca vão funcionar
como antes.

Sou como um mosquito
viciado em veneno,
viciado em outras palavras.
Não vão matar,
talvez entorpeçam,
e tornem a luz das cidades
mais brilhantes do que a
iridescência binocular de minha alma.

Desconecto do seu interior
para desemborcar
uns versos como
se urinasse numa piscina,
ou como uma senhora que
lava a calçada,
a água nunca acaba?

As fontes pararam de
jorrar ha tempos.
nenhum tipo de formatação
vai me livrar de 
um anúncio per-verso como este:

O desconector foi conectado.



"deus ex machina" - BH - foto: Eduardo Guimarães

segunda-feira, 10 de março de 2014

Votos Sinceros

Sempre é bom ouvir 
uns votos sinceros,
os hipócritas, por exemplo.
A contar os tapinhas nas costas,
vou viver uns duzentos anos.
Tente imaginar o que eu digo
nessas palavras simples.

Alerta!

Sua vida acaba de ser invadida.
A ocupação pode durar
ao menos uns dez anos
antes de acabar num papel assinado.
E embora possas optar pela guerra.

Virá a fome,
As pestes virão.
Ficará roto o teu leito
antes de chegar aos
cinquenta anos.
Então sentarás na 
poltrona reclinável do papai
e assistirás ao noticiário das oito.
Mas não se preocupe,
Sempre haverá um asilo
de portas abertas.



Fatboy Slim - Weapon of Choice