quarta-feira, 8 de abril de 2015

Andréa

Poderia dizer inúmeras
injúrias em teu nome.

Poderias escrevê-las em
muros, calçadas, estrelas.

Poderia deixar dois versos
sobre sua cama de manhã.

E maldizer suas intenções
sem carregar sua imagem.

Nada poderia me parar
nem senso de censura.

Na clausura de simples verbos
versar-te bela, amável criatura.

Como o salmista louva
o orvalho nosso de cada dia.

Como as enciclopédias se esforçam
para descrever cada verbete.

Ou pensamentos que de repente
confundem os sentidos.

Paralisa ante toda a mística
que seu nome compensa.

Depois, Silêncio.
Depois, Silencio.

Mas silencio, como o prenúncio
das maiores tempestades.

Silencio como o ruído dos
carros silencia aos poucos a noite.

E poderia deixar mais dois versos
sobre sua cama de manhã.

E silenciar ante toda a mística
que seu nome compensa.