terça-feira, 25 de novembro de 2014

Agente

Acima de tudo,
a gente,
gente grande.

Fora de tudo
o espaço,
de sobra o
único verso
universo
em verso
inverso.

Vasos dilatam
estrelas cadentes
na estante.
Partido,
o Sol,
alimenta, mas
apenas dez por cento,
para desespero
de meio mundo.

Fora o verso.
Fora o mundo.
Único reverso
universo,
a gente,
de novo
em verso.

Computadores.
Números graxos.
Ácidos estéticos.
Lixos sintéticos.
Pelo espaço,
de gente
sem tempo.

Mais a gente,
distante,
radiante
e acima.
Há gente.

domingo, 16 de novembro de 2014

passa

olha aí
o carnaval já passou.
e ano após ano
após ano após ano
passa.

todas as mil apoteoses
passaram, olha lá.
e elas nem constam
tanto assim, e agora
aromas de sangue e noz-moscada
vem encher a calçada
de gritos de orgasmo
e de mau humor.

na mesma rua há
uns velhos rangendo
a sobra dos dentes
que aliciam o tempo
na calçada das damas que,
apenas enterram os pés no asfalto
construindo casas e nuvens.

e o fim, ah! o fim
em si mesmo não é nada
luzes apagam e ascendem.

o samba está na rua
todo santo dia,
e não santos também.


Fonte: google imagens